sábado, 24 de janeiro de 2009

UM INVERNO DIFERENTE - PARTE I


Discover John Williams!


Em Julho de 1914, tendo em vista a proximidade de uma guerra, Elsa e eu viajamos para Londres onde pegaríamos um navio para a América, descartados, evidentemente, os navios da White Star Line.






Então comprei dois tickets de passagem para o navio Endurable, zarpando em 01 de agosto, das docas de Londres, rumo à América. Como ainda tínhamos umas 12 horas antes do navio zarpar, Elsa foi visitar seus parentes em Chelsea e eu meus amigos na Baker Street 221-B. Ficamos de nos encontrar no Endurable no dia da partida.



Cheguei atrasado e embarquei no último instante. Assim que subi a bordo o navio zarpou. Elsa já devia estar na nossa cabine. Fui procurar o capitão do Navio.



O capitão Frank Worsley recebeu-me muito bem e disse estar admirado pelo meu voluntariado...Achei aquela frase enigmática. De qualquer forma, agradeci e iniciei um tour pelo navio.


Conheci também o segundo em comando, o imediato Frank Wild , assim como um fotógrafo chamado Frank Hurley. Perguntei a eles se não havia uma certa confusão por todos a bordo se chamarem Frank.

Frank Hurley tirou uma foto minha, juntamente com a tripulação...



Agradeci a camaradagem de todos no convés e fui procurar minha cabine.



No caminho encontrei o clandestino e auxiliar de Cozinha, sr. L.B. Pimpolho. Foi quando fiz a terrível constatação: eu não tinha uma cabine, a Elsa não estava a bordo, eu não estava rumando para a América e sim para a Antártida e o navio se chamava Endurance...

Confesso que fiquei preocupado, principalmente com a Elsa. Foi então que veio em minha direção o homem que mais tarde viria a saber ser o comandante de uma expedição: Sir. Ernest Henry Shackleton...

Expliquei-lhe a situação e ele telegrafou ao Endurable para tranquilizar a Elsa. Ela seguiu para a América, onde iria me esperar. Eu segui para o sul... Tornei-me o Filósofo-clandestino-de-pijama do Endurance.
Enquanto atravessávamos o Atlântico até Buenos Aires, Frank Wild me explicava, sempre que podia, os detalhes da missão: Chegar ao Pólo Sul da Terra. Em 26 de outubro zarpamos de Buenos Aires rumo à ilha Geórgia do Sul .





Frank Hurley registrou nossa chegada a Grytviken, uma estação baleeira de noruegueses na Geórgia do Sul. E pela aquarela de Adam Kolz pode-se ver a posiço do Endurance.Em 05 de dezembro zarpamos para as ilhas Sandwich do Sul e ao Mar de Weddell. O frio era intenso.









No início da tarde do dia 07 de dezembro avistamos a Ilha Sanders e o vulcão Candleman. Passamos entre eles e surgiram imensos icebergs a nossa frente. Daquele dia em diante o Endurance navegou em meio a gelo marinho, os floes, icebergs, correntes marinhas fortes e nevoeiro, até o Endurance ficar preso, em 19 e janeiro de 1915, quando o gelo fechou-se ao redor do navio...

Em 22 de janeiro o navio começou a se deslocar, à deriva, juntamente com os floes que o aprisionaram... Estávamos nos afastando do curso original. Shackleton abandonou todas as tentativas de livrar o Endurance do gelo em 25 de janeiro. O navio estava firmemente preso. Aproveitamos para esticar as pernas...










O frio ficou mais intenso com o anoitecer e todos nos reunimos perto do fogo para conversarmos e planejarmos um possível abandono do Endurance.







Hurley estava do lado de fora tirando fotos do Endurance em plena noite. São fotos assustadoras.





Pela manhã, Shakespeare, um dos 69 cães que estavam a bordo do Endurance, veio em minha direção. Ele me adotara. Fiz um pequeno iglu para ele.

Em 28 de fevereiro nosso pequeno rádio, ainda instalado na cabine, já não recebia mais as transmissões de Port Stanley, nas Ilhas Falkland...ou Malvinas. O navegador Hubert Hudson estava aborrecido. Tentei ajudar, mas foi em vão.



O gelo continuava a pressionar o navio. Shackleton estava muito preocupado. Na verdade todos nós estávamos apreensivos.


Nossa alimentação agora era digna da realeza. O clandestino cozinheiro Pimpolho preparava pinguins imperiais para o almoço. Coitados, mas eram eles ou nós.


Em 15 de março Shackleton ordenou o desligamento das caldeiras, O consumo era de cem quilos de carvão por dia. Mas em 17 de março uma tempestade de neve fina abateu-se sobre nós...


Shackleton parecia o Santa Claus.




No dia 14 de abril de 1915 , Frank Hurley tirou uma foto minha com toda a equipe de Shackleton. Recordo com certa nostalgia aqueles dias de intensa emoção, mas o pior ainda estava por vir...


CONTINUA...


domingo, 4 de janeiro de 2009

VIAGEM À ÍNDIA




Arrumando a bagunça do meu sótão, descobri um velho diário de uma viagem que fiz há algum tempo atrás, quando quis fotografar o Taj Mahal para dar de presente de casamento para a Elsa.




Também gostou muito dos sapatos, chinelinhos e roupas típicas que eu trouxe para ela. Hehe!




Para dizer a verdade a Elsa ficou parecida com a Indira Ghandi.




Eu ganhei um par de tênis quando fui a uma convenção de Física Quântica aplicada à Yoga, no Punjab.




Schroedinger, além do turbante Sikh, ganhou um fantástica caixa de sapatos.







O navio era espetacular. Me fez lembrar a viagem que fiz com Elsa até as Ilhas Gregas. Na época tive um encontro fantástico com Henrich Schliemann.






Foram dias muito felizes aqueles.




Fiquei muito feliz quando, ao ir degustar meu café da manhã a bordo, tomei conta de que Ghandi e o Dalai Lama estavam viajando para a Índia. Eu teria companhia até lá.







Depois do café matinal, coloquei meu pijama hindu e fui até à cabine de Ghandi para conversar. Foi muito agradável e demos boas risadas. Ele me deu um mapa, que apesar de estar escrito em sânscrito, mostrava claramente a localização do Taj Mahal.


De volta a minha cabine, cruzei com o Dalai Lama e o Mestre I-Vong, em sua caminhada meditativa recitando aquele infinito mântra "Om!" . Mais tarde vim a saber que eles estavam perguntando "On...de ficavam suas cabines"...










Minha cabine tinha tanta luz que resolvi tomar um banho de Sol ali mesmo.





À noite fui para o convés observar as estrelas. Vi um casal de namorados e lembrei-me de quanto a Elsa é minha companheira...

Finalmente chegamos ao porto de Mangalore. A tarde estava nublada e eu precisava me hospedar logo.



Hospedei-me em um bangalô. Qual não foi minha surpresa quando encontei o Nehru hospedado no bangalô ao lado do meu. Conversamos pelo final da tarde.

Pela manhã tive a grata satisfação de receber a visita do meu velho amigo Tagore. Sabendo que eu estava indo para o Taj Mahal, convidou-me para sua expedição em busca do sagrado poema perdido de Agra, bem onde está localizado o túmulo.




Até Madre Teresa de Calcutá, peregrinando pela Índia, veio me mostrar um poema do Tagore. Ganhei um livro dela e dei outro de presente.




Ela ficou muito contente.




Em Agra troquei o elefante pela bicicleta e rumei para o Taj Mahal...



Mandei a minha elaborada fotografia, com um sitar e roupas típicas para a Elsa, tendo ao fundo o Taj Mahal. Somente em casa, já de volta ao lar e com uma lupa na mão, mostrei a ela que não era o Ravi Shankar na foto.